“A virgem perpétua”

A heresia: Maria, mãe de Jesus, é virgem perpétua, isto é, continuou virgem, e não teve mais filhos.

Assim está escrito:

Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs?

Mateus 13:55-56

Porém, os católicos não aceitam o que está escrito e a escritura está sujeita à sua própria interpretação, e por isso arranjaram uma série de argumentos sem sentido que vou comentar:

Argumento católico:

A escritura chama irmãos não só aos de sangue como também aos parentes. Abraão chama de irmão a Ló: “Que não haja discórdia entre mim e ti, entre meus pastores e os teus, POIS SOMOS IRMÃOS” (Génesis 13:8). Em Génesis 12:5 fala claro que Ló era apenas SOBRINHO de Abraão: “Abraão tomou sua mulher Sara, seu sobrinho Ló…"

Os católicos dizem, a fim de defenderem a virgindade Maria, que era esse o costume hebraico de chamarem irmãos aos parentes e não só aos de sangue. Porém há um problema nesse argumento, porque o novo testamento está escrito em grego e que é outra cultura muito diferente da cultura hebraica, logo é um argumento sem sentido.

E além disso, isso não é um costume só deles, porque ainda hoje acontece a mesma coisa em qualquer nação, em que chamamos irmãos ou parentes aos nossos familiares ou até mesmo aos nossos amigos para realçar que somos da mesma família ou raça, mas chamamos o nome correto definindo o grau familiar para identificar a pessoa. Até uma criança percebe isto!

Porque uma coisa é falar que somos da mesma família, que é o que Abraão estava dizendo a Ló no caso da separação, mas outra coisa é a identificação do grau de parentesco ao dizer que ele era filho de seu irmão; e no caso de Jesus eles eram realmente irmãos como vou provar.

Comecemos então:

Se eles eram parentes e não irmãos, porque os coloca juntamente no mesmo grau de parentesco de Maria dizendo: "…não é Maria a sua mãe e seus irmãos..."?.

E porque quanto à irmã de Maria já a escritura a chama de irmã?

E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena.

João 19:25

E, também, em relação à Isabel sua prima em que já a trata pelo grau familiar de prima e não de irmã?

E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril;

Lucas 1:36

Se realmente Maria não teve outros filhos, porque é que em tantas vezes a escritura diz “ irmãos de Jesus” não os chama uma única vez de primos?

A nossa fé tem de estar sobre o que está escrito para ser verdadeira, até prova em contrário, pois estamos a falar da palavra de Deus e não da palavra de homem. O que está escrito só poderia ser posto em causa se estivesse escrito que os irmãos eram os primos de Jesus em vez de irmãos, mas, pelo contrário, está somente escrito a palavra irmãos; então a palavra não pode ser anulada.

Tudo o que passa disso, o eu acho, o pode ser interpretado, ou aquele entende assim, e outras ideias do género são suposições da carne que não podem pôr em causa a palavra escrita, pois a fé é uma certeza e não uma suposição que depende do entendimento e vontade de cada um.

Dizem que a escritura não diz que os irmãos de Jesus são filhos de sua mãe, o que é mentira, porque ao estar escrito: "sua mãe e seus irmãos". Está exactamente afirmando isso mesmo. Mas o que a bíblia não afirma é que os irmãos de Jesus são seus primos ou parentes.

Quando Cristo diz "a minha mãe e os meus irmãos são", se ele se estivesse a referir aos primos, então ele teria dito: a minha mãe e os meus primos são. ... Parece-te racional esta expressão? Se fosse contigo, em que te perguntassem quem era a tua mãe e teus primos tu dirias: são a minha mãe e meus irmãos?

Quanto ao comparar com os irmãos da fé, é ainda mais tolo, porque uma coisa é ser irmão em Cristo, mas outra é ser irmãos de Cristo; a palavra de Cristo, afasta-os dos outros para liga-los somente a Cristo, a um grau familiar específico.

Tiago era irmão de João; Pedro era irmão de André; Lázaro era irmão de Maria e de Marta; se aqui ninguém coloca em questão o grau de parentesco porque o colocam em relação aos irmãos de Cristo?

Dizem que esses supostos parentes eram os discípulos de Cristo e até os apóstolos. Mas como poderiam ser tal coisa se eles mesmo, os seus irmãos, confessavam que não eram seus discípulos e o queriam longe deles?

Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. ... E depois disto Jesus andava pela Galiléia, e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo. E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele. Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto. O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más.

João 6:67-68/7:1-7

A sua inimizade para com Jesus é mais do que evidente, e por isso diziam para ele se ir embora e que fosse ter com os seus discípulos, enviando-o para a Judeia onde os judeus o queriam matar.

Como poderiam ser irmãos da fé, quando Jesus testemunha que eles são do mundo e por isso o mundo não os odeia, mostrando assim a sua incredulidade? Logo, só podiam ser irmãos da carne e não da fé.

Desta forma, essa mentira da virgindade de Maria e de que os seus irmãos eram os seus discípulos ainda fica mais evidente quando vemos que, quando isso aconteceu foi depois da multiplicação do pão e do peixe no capítulo 6 quando já os apóstolos tinham sido escolhidos e andavam com ele.

Como poderiam eles ter sido apóstolos se o consideravam louco e foram ao seu encontro para o prender? E, atenção, que eles estavam num lugar e Cristo estava noutro com todos os seus apóstolos.

E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar, a Simão, a quem pôs o nome de Pedro, E a Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão; E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão, o Cananita, E a Judas Iscariotes, o que o entregou. E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si. ... Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar.

Marcos 3:14-21,31

Porque Lucas, no Pentecostes, em que Maria apareceu com os filhos, faz exactamente a mesma coisa, em que depois de nomear os apóstolos, refere também os irmãos de Jesus. Voltaria Lucas a referir novamente os irmãos de Jesus depois de ter nomeado os apóstolos, pelo nome?

E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.

Atos 1:13-14

E porque Paulo, muito mais tarde, faz também distinção entre os irmãos de Jesus e os apóstolos se eles também seriam dos apóstolos?

Não temos nós direito de levar connosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?

1 Coríntios 9:5

E porque uns eram irmãos do senhor e outros não, se seriam todos discípulos e a escritura estaria a referir-se aos irmãos em Cristo e não na carne?

Porque o próprio Cristo afirmava que não foi bem recebido em sua terra, entre os seus parentes e, até mesmo, os da sua casa?

Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa.

Mateus 13:55-57

Ao falar de casa não se está referindo a parentes, mas aos de sangue e é por isso que esta afirmação de Jesus é feita depois de os judeus terem dito que sua mãe era Maria e que os supostos parentes eram seus irmãos a quem os judeus diziam que bem conheciam, porque viviam entre eles.

Em lugar algum afirma que a Maria de Cleofas era mãe dos supostos primos de Jesus, nem sequer que ela era mulher de Alfeu; isso são tudo suposições sem qualquer fundamento bíblico. Mas diz: Maria mãe de Tiago, confirmando assim a palavra dos judeus que, de facto, Maria era mãe biológica de Jesus e dos seus irmãos.

Porque é que os supostos primos andavam sempre com a Maria em vez de andarem com a sua própria mãe, Maria de Cleofas? E vemos isso por muitas vezes e em muitas ocasiões diferentes.

Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?

Mateus 13:55

E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.

Mateus 12:46

Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.

Atos 1:14

O argumento do catolicismo de que João recebeu Maria porque ela não tinha filhos é mais uma tolice, porque João recebeu Maria como família espiritual e não como carnal, porque, como já vimos, os outros não eram nada espirituais e só a prejudicariam.

Pelo contrário, eles não queriam saber de Cristo e por isso, até na crucificação, estavam ausentes, por não serem seus discípulos e talvez até por medo dos judeus.

Tornamos a ver em Actos 1:14 que quem estava com Maria eram os irmãos de Cristo e não somente João, o apóstolo.

Também João, aquele que acolheu Maria, fala dela e mostra que nem todos os seus filhos andam na verdade, logo ela tinha filhos.

O ancião à senhora eleita, e a seus filhos, aos quais amo na verdade, e não somente eu, mas também todos os que têm conhecido a verdade, ... Muito me alegro por achar que alguns de teus filhos andam na verdade, assim como temos recebido o mandamento do Pai. E agora, senhora, rogo-te, ... Saúdam-te os filhos de tua irmã, a eleita. Amém.

2 João 1:1-5,13

Mas muitos querendo dissimular dizem que João se estava referindo a uma igreja, mas é mentira porque fala em senhora e em seus filhos, falando para uma pessoa, rogando a uma pessoa e não a uma comunidade.

E ainda acrescenta que nem todos os seus filhos andavam na verdade, porque alguns se converteram após a ressurreição; e além disso se fosse uma igreja não falava em alguns filhos, mas a igreja são todos os que nela estão e não alguns.

Se são filhos da igreja logo estão na verdade, doutra forma não eram filhos. Porque para ser filho é preciso ser gerado pela verdade.

Porque a igreja baseia nestes: "...aos quais amo na verdade, e não somente eu, mas também todos os que têm conhecido a verdade,…". Estes é que representam a igreja que a amavam na verdade e não a senhora eleita.

Porque quem poderia ser a senhora eleita, segundo as escrituras, senão Maria? E era esta que a escritura afirma que tinha filhos, não só ela mas também a sua irmã, a mulher de Cleofas, que os próprios católicos dizem ser a mão dos irmãos de Jesus, se é assim porque diz que tanto uma como outra têm filhos?

E para mostrar que essa ideia de dizer que a eleita refere-se a uma igreja não passa de um engano, na sua outra carta mostra que ele não trata a igreja por pessoa mas pelo seu nome que é igreja.

Tenho escrito à igreja; ... Que em presença da igreja testificaram do teu amor; ... e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja.

3 João 1:6,9-10

Também o Salmista já testemunhava ao relatar sobre as obras e os adversários de Cristo, que também ele tinha mãe e irmãos segundo a carne, citando o grau de parentesco que os seus irmãos eram filhos de sua mãe, e que o iriam rejeitar.

Porque por amor de ti tenho suportado afrontas; a confusão cobriu o meu rosto. Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe. Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim. Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre.

Salmos 69:7-9,21

Agora sejamos sinceros e sensatos:

Se a virgindade e a santidade de Maria fosse real, então porque em toda a escritura nada fala sobre isso, isso passou ao lado dos apóstolos, um assunto tão importante? Porque não teve parte no ministério dos apóstolos? Pois no passado existiram várias profetizas.

Na verdade, Tiago, o irmão do senhor, foi um dos principais opositores de Paulo e por conseguinte perseguidor de Cristo, fazendo tropeçar muitos irmãos da fé no engano e até mesmo o Pedro se deixou iludir por ele, porque o temia por causa de ser filho da escolhida.

Só o facto de a escritura ter chamado Jesus de primogénito, segundo a carne, que quer dizer o primeiro filho, mostra que ela iria ter mais filhos.

Se José não podia tocar em Maria então porque é que ele casou? Não participou do filho, nem era filho dele, e agora também teria uma mulher quem não poderia tocar?

Se isso fosse assim, a vida deles teria sido um sofrimento e pecado constante, porque o homem não tem domínio sobre o seu corpo, mas só a mulher o tem e vice-versa.

A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher.

1 Coríntios 7:4

E é exactamente por isso que a escritura diz que José só não a conheceu até que Cristo nasceu, mas depois foram um casal normal como qualquer outro.

E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogénito; e pôs-lhe por nome Jesus.

Mateus 1:25

Eis aí a verdade, "até que deu à luz".

Além disso, para ser virgem perpétua não poderia ter tido nenhum filho, porque até fisicamente essa mentira é testemunhada, porque ela gerou Jesus fisicamente, o seu corpo, e não espiritualmente como fez o espírito de Deus.

Por isso tais pessoas, não crendo no que está escrito, que Jesus tinha mãe e irmãos carnais, para defender a heresia da virgindade perpétua de Maria firmam-se no que não está escrito e em seus próprios raciocínios para dizer que Jesus não tinha irmãos carnais e que eram primos, quando isso não está escrito.

Porém, a verdadeira fé baseia-se no que está escrito e nada lhe tira e nada lhe acrescenta, porque seja Deus verdadeiro e todo o homem mentiroso.

Mas a raiz de todo este problema é a sua idolatria, que corrompeu todo o seu entendimento, e por isso só podem adulterar a escritura para defender as suas heresias. Por isso vemos o seu historial de horrores ao longo dos séculos, em que o seu eco tem sido de perseguição e tortura e morte de inocentes e dos santos de Deus. Ainda hoje querem justificar o seu pecado de séculos citando os actos de outros falsos cristãos, pois em vez de se medirem pela palavra de Deus medem-se pelo pecados dos homens, para assim parecerem justos diante dos homens.

Mas esta é a forma de uma seita prevalecer à sombra das coisas de Deus para passar aos olhos dos homens como verdadeira e, além disso, a Mariologia é uma indústria que faz prosperar muita gente à semelhança de Demétrio no tempo dos apóstolos, também por causa de uma divindade feminina.

Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia de prata nichos de Diana, dava grande lucro aos artífices, Aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Senhores, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade; E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos (igual ao catolicismo). E não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram (Igual a Fátima). E, ouvindo-o, encheram-se de ira, e clamaram, dizendo: Grande é a Diana dos efésios. E encheu-se de confusão toda a cidade e, unânimes, correram ao teatro, arrebatando a Gaio e a Aristarco, macedónios, companheiros de Paulo na viagem. E, querendo Paulo apresentar-se ao povo, não lho permitiram os discípulos.

Atos 19:24-30

Claro que isto irrita os idólatras, pois a história repete-se desde o tempo de Moisés e Jeremias com a rainha dos céus.

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