Doutrina da Triunidade

Ao contrário da trindade em que Deus é constituído por três pessoas, a triunidade é um só Deus que se manifesta quando quer, em Pai, em filho ou em Espírito. Mas a pessoa é só uma.

O mundo está cheio de pessoas que dizem ser cristãs, mas cada um tem interpretação diferente da palavra de Deus, será isto verdadeiro? É evidente que não, sendo a verdade só uma, logo todos aqueles que são da verdade têm de pensar e sentir da mesma maneira.
Pois, a palavra de Deus não se discerne pela sabedoria do homem, nem pela formação que ele adquiriu. Mas, todos os que são Dele, sem excepção, pensam, não pela sua cabeça, mas pela cabeça da igreja, que é Cristo. Naquele dia em que estivermos no tribunal de Deus, esses argumentos não passarão diante de Deus, tais como:

Eu pensava que era assim. Eu fui enganado pelo meu pastor. O culpado foi o sacerdote. Etc. ?

Pois, tanto o que ensina como o que ouve serão condenados. O cego que segue o guia cego, ambos cairão na cova. Mas, o verdadeiro cristão sabe o que é verdadeiro, pois está escrito que aquele que crê realmente em Cristo jamais será confundido. Foi precisamente para isto que veio o Espírito Santo, para nos conduzir em toda a verdade.

João diz que todo aquele que nasceu de novo sabe tudo e não precisa que ninguém lhe ensine, e porquê?

João 6:45 Está escrito nos profetas: Serão todos ensinados por Deus. Todo aquele que ouve o Pai, e aprende Dele, vem a Mim.

Por isso, a verdadeira igreja está unida, principalmente no coração, ligada pelo mesmo Espírito e pela mesma verdade. Assim aconteceu com os profetas que, apesar de viverem em épocas e sítios diferentes, todos estavam de acordo. Pois, não falavam por eles mesmos, mas pelo Espírito que nós possuímos.

Mas, agora, vamos falar do seguinte tema: a doutrina da triunidade.

Mais uma doutrina. O século vinte foi fértil em homens que trouxeram revelações. Há sempre alguém que traz uma novidade, algo que até ali ninguém ensinou; exclusivamente revelado para ele, ou seja, antes dele foi tudo tolo e ignorante. Porém, a aliança de Deus permanece firme para sempre, em que diz: todos me conhecerão desde o maior ao menor.

Ao contrário da trindade em que Deus é constituído por três pessoas, a triunidade é um só Deus que se manifesta quando quer, em Pai, em filho ou em Espírito. Mas a pessoa é só uma.

Eis alguns dos argumentos que sustentam esta doutrina:
- Há um só Deus que se revela por três manifestações;
- Jesus só foi filho na carne;
- Jesus orava ao Pai para mostrar que a manifestação do filho estava sujeita ao Pai;
- Jesus é o Pai porque diz a escritura que ele é pai da eternidade;
- Cristo é o Pai porque ele disse que ele e o Pai são um;
- Ele disse quem me vê a mim, vê o Pai;
- Quando Jesus estava na terra ninguém ficou no céu.

Mas afinal Deus é só uma pessoa, ou é mais? Existe o Pai e não existe o filho? Porque se os três são pessoas distintos então são três deuses e não um.

1ª Coríntios 8:6 ?há um só Deus, o Pai de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também.

Bastava este verso para responder a tal pergunta. Pois, Paulo está dizendo que só o Pai é Deus, e só Jesus é o Senhor, o qual foi constituído Senhor dos vivos e dos mortos, por meio do seu sacrifício.

Então quem são estes que dizem:

Génesis 1:26 Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança?

Repara que está no plural, o que, pelo menos, são dois que fazem. Estará Deus a falar dos anjos?

Chegam a dizer que os anjos são à imagem de Deus, porque Jesus disse que os filhos da ressurreição são como os anjos. Mas não foi só isso que Jesus disse? Vê o que Ele disse:

Marcos 12:25 Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus.

Somos como os anjos em relação ao casar e a ter descendentes no céu, não como filhos de Deus. Só o filho é a imagem do Pai, o anjo foi, é, e sempre será servo de Deus e dos filhos de Deus. E jamais Deus chamou aos anjos de filhos.

Hebreus1:5,14 Porque, jamais disse aos anjos: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho? Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

Espíritos ministradores, não senhores; Servos e não filhos. E Cristo diz que o servo não sabe o que o seu Senhor faz, mas que ao seu amigo tudo lhe revela. Quem é o amigo senão o filho? A quem tudo revela?

João 15:15 Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.

Os anjos nunca poderão partilhar do segredo de Deus como nós, eles são e sempre serão servos, mas nós, filhos e herdeiros, e por isso que eles serão julgados por nós.

São como trabalhadores, que servem numa grande casa e estão integrados na família. Porém, jamais serão da família. Porque não são do mesmo sangue.

Assim, também os anjos, são servos na casa do Pai, mas não são filhos, nem têm a mesma natureza e imagem do Pai, como nós temos.

Pois, até nós, os filhos de Deus, para termos a imagem de Deus em Cristo como temos agora, tivemos de morrer para voltar a nascer de novo. Coisas que eles desconhecem.

Quem fez todas as coisas foi Deus, por meio de Cristo, e aqui, neste caso, Ele estava a criar, o que faz dele o criador de todas as coisas.

Se tivesse falando dos anjos, logo eles também tinham criado, o que fazia deles também um criador e pai.

Se os anjos criaram o homem, como é que se tornaram servos da criatura que criaram? Então, a criatura julgará o seu criador? Como pode o criador criar uma criatura superiora ele? Um deus?

Porém, a verdade é outra. A escritura está no plural, porque quem criou todas as coisas foi Deus, o Pai, e isso através de Jesus. E, além disso, a escritura diz que foi Deus quem criou o homem, e não os anjos.

Génesis 1:27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Os anjos são Deus? De maneira nenhuma! Mas está no plural porque são dois deuses, ou seja, o Pai e o Filho, conforme atesta Paulo aos hebreus.

Hebreus 1:1-2 Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.

Eis aqui a resposta, a escritura é bastante clara, o Pai fez o mundo por intermédio do filho. Por isso diz: Façamos o homem à nossa imagem?

Dizem eles que Jesus orava ao Pai para mostrar que a manifestação do filho estava sujeita ao Pai.

Então orava e chorava em agonia para Ele mesmo? Pediu socorro no Jetsemâni a ele próprio? Disse para Ele mesmo: Meu Deus, Meu Deus, porque me desamparaste. Desamparou-se a si mesmo? Era Deus de si mesmo? Orou a si mesmo para que o Pedro não desfalecesse? Ressuscitou-se a si mesmo dentre os mortos?

Se Jesus orava ao pai para mostrar que a manifestação do filho estava sujeita ao pai, logo toda a sua vida foi um teatro, encarnando personagens que não existiam, e fazendo-se de filho de Deus quando na verdade sempre fora o pai.

É isso que os que defendem a triunidade estão a dizer, ainda que não o admitam. E se Jesus é nosso irmão, como pode ser também nosso pai? Pois o que os irmãos têm em comum é terem o mesmo pai.

E ainda que nós tenhamos sido gerados pela pessoa de Cristo, quem gera é o Pai; Cristo é o mediador por quem o Pai faz tudo.

E quando diz que é pai da eternidade?

É verdade, pois os tempos e a própria eternidade está nele, Ele é a vida eterna, que é o Pai que nele está. E agora também em nós. Porém, isso não faz de nós o pai, pois não? Pois a diferença do pai para o filho é esta:

João 5:26 Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim concedeu também ao Filho ter a vida em si mesmo.

E outra vez:

João 6:57 Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.

Repara que o Pai tem a vida em si mesmo, é o único que é autónomo, mas Cristo já vive pela vida que lhe foi concedida. Sem dúvida que o que dá vida é maior do que aquele que a recebe. Porque se fosse a mesma pessoa, como dava aquilo que já tinha? E, por isso, também o eleito vive por Cristo e tem a vida em si mesmo, mas não é nem Cristo e ainda menos o Pai.

Por isso Ele testificava da sua fraqueza, dizendo que dele mesmo nada podia fazer; que o pai é maior do que ele.Estes, porém, distorcem algo simples para aniquilar a existência de duas pessoas.

E quando Cristo diz quem me vê a mim vê o Pai?

João 14:7-11 Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me queestou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.

Aqui, para eles, já é exactamente o que se lê na letra da escritura. Mas, o que estavam vendo os discípulos? O Pai? O filho de Deus? De maneira nenhuma, viam apenas um homem carnal, igual a tantos outros, e não Deus; logo o que viam era uma figura da verdade, e não a realidade.

Toma atenção, ó homem, e raciocina: porque, na verdade, também eu posso dizer: quem me vê a mim vê o Pai. Se sou filho, também sou a sua imagem.

E também posso dizer: o Pai está em mim e eu estou no Pai. E se creio Nele, isso não é verdade? E porque Ele está em mim, isso anula a pessoa do Pai? Ou faz de mim o Pai? Claro que não! Eu sou o gerado, Ele é o que me gerou.

Mas para eles é como se Jesus dissesse: o Pai está em mim, mas não existe, porque eu sou o Pai.

Logo, também poderia dizer: Cristo está em mim, mas não existe, porque eu sou o Cristo. Será assim? Por isso é que Ele dizia que as palavras e as obras que fazia não eram dele, mas era o Pai que estava nele que as fazia.

Podia estar aqui horas a mostrar passagens onde existe o Pai e o filho. Mas é isto novidade só no novo testamento? Claro que não, vê no passado.

Lucas 20:42-44 O próprio Davi declara no livro dos salmos: Disse o Senhor ao meu Senhor: assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.

Repara que já Davi dava testemunho de dois Senhores, dizendo: Disse o Senhor (Pai) ao meu Senhor (Cristo).

O Pai é Senhor de tudo, inclusive do filho, mas o filho foi feito Senhor pelo Pai de toda a criação; quer visível, quer invisível.

Vê o que Paulo diz:

Hebreu 1:8-9 Mas do filho diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, e ceptro de equidade é o ceptro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade: por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais que os teus companheiros.

Repara que chama, ao próprio filho, de Deus, e que depois diz: por isso Deus, o teu Deus.

Vemos aqui dois deuses e os seus irmãos, a quem ele chama de companheiros, que na verdade também são deuses, conforme o Pai e o Filho.

Quando diz o teu Deus mostra claramente que um é muito superior ao outro; que um foi ungido por outro. E é óbvio que aquele que abençoa é maior do que aquele que é abençoado.

Vês como Deus é constituído por mais do que uma pessoa? Na verdade, Deus é constituído por milhões de pessoas. Mas, todos são deuses no Pai. Esta é a verdade, ainda que isto te escandalize.

Repara também no livro dos salmos.

Salmos 82:1,6 Deus preside na grande congregação e julga no meio dos deuses. ? Eu disse. Vós sois deuses, vós sois todos filhos do Altíssimo.

Se Deus chama aos filhos de deus, logo somos Deus. E quem és tu para negares a escritura? Não deu também Cristo testemunho disso?

João 10:34-35 Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), que dizer daquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo? ?

Entende ó homem, tanto aquele que é a palavra (Cristo), como aqueles a quem foi enviada a palavra (eleitos), são iguais, ou seja, deuses.

O primogénito, porém, foi feito pelo Pai, sem mediador. Nós, porém, fomos feitos por intermédio do seu filho, por quem o Pai tudo fez.

E é por isso que também nós iremos julgar o mundo e os anjos, na qualidade de Deus. Porém, somos deus no Pai que está em nós, e não deus por nós mesmos. Assim, acontece com Cristo, nosso irmão.

Se tais pessoas entendessem a parábola do filho pródigo, veriam que existe tanto o Pai como o filho. Essa história fala da nossa pré-existência com Deus, e lá vemos o filho mais novo, que representa os eleitos, e vemos o mais velho que representa Cristo, aquele que nunca transgrediu. Mas agora isso está selado ao homem comum.

Na verdade, esta resistência a que haja Pai e filho não é de agora, mas aconteceu a mesma coisa com os Fariseus, que, quando souberam que Deus tinha um filho, escandalizaram-se de tal maneira que o perseguiram e mataram. Pois, eles sempre pensaram que só havia o Pai. Porém, o próprio Jesus fez questão de realçar isso mesmo.

Mateus 21:33-39 Ouvi, ainda, outra parábola: Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe. E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um, mataram outro, e apedrejaram outro. Depois enviou outros servos, em maior número do que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo. E, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram. E os príncipes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas palavras, entenderam que falava deles; e, pretendendo prendê-lo, recearam o povo, porquanto o tinham por profeta.

Vê como queriam desfazer-se dele. Mas, repara. Se é o herdeiro, como pode ser o Pai? Se fosse o Pai, ia herdar o que sempre teve? Na verdade, ainda hoje os Fariseus continuam a odiar o filho de Deus, mas, agora, disfarçados de cristãos.

Na verdade, sempre foi este o grande segredo de Deus, que Ele tinha um filho. Um primogénito, que pelo qual fez todas as coisas.

Colocensses 2:2-3 Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus: Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.

É Nele que descobrimos o projecto de Deus; é Nele que descobrimos o Pai; é Nele que descobrimos a justiça de Deus. E, ainda hoje, muitos falam de Jesus, porém, para eles,continua a ser um mistério, e por isso rejeitam-no.

Mas amigo, olha a tua imagem ao espelho e diz-me o que vês? Digo-te que verás a imagem, o primeiro homem que Deus criou. Não diz a escritura que trouxemos a imagem de Adão? E quem vê um filho de Adão, vê Adão.

Porque um é a imagem do outro. Tendo a mesma natureza, um nariz semelhante, uma boca, duas pernas, etc? No entanto, é uma imagem de seu pai, e não o seu próprio pai, Adão.

Assim que, também aquele que lhe foi dado olhos para ver os filhos de Deus, está vendo a expressa imagem do próprio Deus, que nele está.

Também Jesus é a imagem do Pai, e não o próprio Pai. Pois, a imagem não é a pessoa, mas um reflexo dessa pessoa.

Hebreus 1:3 Cristo é o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, ?

Vou dar-te um exemplo melhor. Adão, ao ser criado, foi chamado de ser humano, logo todos os seus descendentes são chamados de seres humanos, isto por saírem dele. A primeira criatura é chamada de homem, logo todos os seus filhos são chamados de homens. Assim como foi o pai, assim são os filhos.

Assim, como todos os humanos têm a natureza de Adão, logo todos os espirituais têm a natureza de Deus; assim como o exterior é igual a Adão, assim o nosso interior é igual a Deus. Portanto, se os filhos do homem são chamados homens, logo os filhos de Deus são chamados deuses.

Compreende ó homem. Na verdade, só existe um Deus que é o Pai, e fora Dele, nem Cristo nem nós seriamos filhos, quanto mais deuses. Mas todo aquele que está Nele é Deus, não por si mesmo, mas no Pai.

Qualquer um que é nascido de novo pode dizer o mesmo que Jesus disse, pois quem vê o filho vê o Pai. Todos nós existimos, vivemos e nos movemos Nele, por Ele, e para Ele. E Ele existe, e vê-se neste mundo por meio de nós, e nós por meio Dele.

As palavras e as obras que fazemos em seu nome, não as fazemos por nós mesmos, mas é Ele quem tudo opera. Pois, embora nós anunciemos o evangelho, é Ele que nos dá boca para falar o que convém, é Ele que convence o perdido, que salva, transforma, livra, consola, instrui, para que Ele seja tudo em todos.

Continuemos a explicação:

Cristo está entre Deus e os homens, sendo o nosso mediador. Então, se Cristo é o nosso sumo sacerdote que intercede pelos homens, como pode ser o Pai ao mesmo tempo? Intercede diante de si mesmo? E isto até ao último dia? Faz de mediador para si mesmo?

Então, se aquele que está à direita de Deus e que intercede por nós não passa de uma manifestação, vamos confiar em algo que não é real? Que não é pessoa (visto que quem está no trono é o Pai)? Não tenho dúvidas que quem crê nisto será condenado.

Porém, o Pai nada faz a não ser pelo seu filho, e por isso é que são duas pessoas.

Hebreus 1:2 A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.

Também Cristo nada faz a não ser pelo seu corpo, a igreja. E isso não anula a pessoa de Cristo, pois não? De modo algum! Doutra forma seriamos sómente nós a única realidade, e o resto não passavam de meras manifestações que não existiam como pessoas?

Que grande tolice! Tais pessoas rejeitam o que é obvio para desenvolver raciocínios de ficção, segundo a sua mente carnal.

Na verdade, o Pai é o único que não tem princípio, nem é o primeiro porque sempre existiu. Porque só existe o primeiro se houver um princípio para ele, como aconteceu com Cristo. Jesus, sim, é o princípio e o primogénito das suas criaturas. E se é criatura, logo não é o criador.

Mas, Cristo, que é a sabedoria de Deus, onde todos os tesouros do conhecimento estão encerrados, nem sempre existiu, mas foi criado, conforme diz em Provérbios. Sendo ele o princípio das obras do Pai.

Provérbio 8:22-25,30 O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras. Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra. Quando ainda não havia abismos, fui gerada, quando ainda não havia fontes carregadas de águas. Antes que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros, eu nasci. Então eu estava com ele, e era seu arquitecto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo;

Cristo é o arquitecto por quem Deus fez todas as coisas. Mas o arquitecto não é o dono da obra, mas é o escolhido para a fazer, e isto segundo a vontade do dono.

Na verdade, Cristo sempre foi filho, e nunca o Pai. E, ainda que se manifestasse em carne ao mundo, o seu interior era em forma de Deus, era o mesmo que estava no seio do Pai. E estar no seio não é ser uma só pessoa, como aqueles que defendem a triunidade dizem, mas é estar junto com o Pai. Doutra forma, também Lázaro era Abraão, visto ele estar no seio de Abraão.

Por isso, o Cristo que há de vir é o mesmo que subiu aos céus. Em nada mudou. Não subiu como filho e vai voltar como Pai. Pois a carne não pode ser filho de Deus, nem pode mudar o interior do homem. Assim acontece connosco, a nova criatura do tempo presente é a mesma que se há de manifestar no dia do Senhor. E isso não faz de mim, agora, filho e, naquele dia, pai.

Assim como estar em Cristo não faz de mim Cristo, mas sim, viver pela sua vida que está em mim. Assim também quando Cristo dizia que estava no Pai, não faz dele o Pai, mas vive pela sua vida que nele está.

Dizem eles: Cristo é o Pai, porque ele disse que ele e o Pai são um.

Vamos ver, então.

João 17:11,21-23 E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós somos um. Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.

Eis aqui a triunidade feita em mil pedaços, reduzida a pó. Jesus está a dizer que ser um, é estar unido (perfeitos em unidade) ao Pai, e não, ser uma só pessoa. Por isso, Ele compara a sua unidade com o Pai, com a nossa, entre os irmãos, dizendo: que eles sejam um, como nós somos um.

Se fosse como eles ensinam seriamos também nós uma só pessoa. Mas esse ser um, é alcançar o aperfeiçoamento, para o qual fomos chamados e vocacionados. Não é ser uma só pessoa, mas sim, ser um na fé, no conhecimento, conforme a imagem de Jesus Cristo.

Efésios 4:13 Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao pleno conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,

Pois, quanto à imagem, à natureza e ao propósito, somos, realmente, um com Deus. Pois, é Ele que opera tudo em todos, conforme o seu propósito. Fez-nos à sua imagem, deu o seu Espírito e os seus pensamentos; somos o seu corpo por quem Ele opera todas as coisas.

Mas quanto à pessoa, somos milhões, e todos diferem uns dos outros, e cada um em particular segue o seu próprio caminho que lhe foi predestinado, operando a sua parte no corpo de Cristo, conforme a vocação que recebeu de Deus, afim de cumprir o tal objectivo comum.

Na verdade, Cristo não veio ao mundo sómente por causa dos eleitos, mas também por ele mesmo. Isto é: Ele veio aprender a obediência até chegar à perfeição por meio dos sofrimentos, afim de poder ser o nosso sumo sacerdote, consciente daquilo que nos rodeia.

Para isso Ele tinha de conhecer e experimentar a força do pecado, o medo, a dúvida, a dor, a morte, e todo o tipo de tentações. Pois só conhecendo o mal, podemos distinguir o bem. E essas coisas não podia experimentar no céu.

Hebreus 5: 7-9O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele aperfeiçoado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;

Eis aqui Cristo fingindo com grande clamor, lágrimas, orações e súplicas a si mesmo. Será assim? Quem teme a Deus nem ousa crer em tal coisa, quando mais ensiná-la.

Mas, o propósito do Pai foi o seu aperfeiçoamento e, por isso, agora temos um sumo sacerdote que nos pode compreender e socorrer em tempo oportuno.

Mas, quanto ao Pai, é aquele que tudo sabe e que a tudo criou para o herdeiro, Cristo. Se fosse Ele o filho, o que haveria de aprender, uma vez que tudo sabe? E ia aprender com as coisas que Ele mesmo criou? Nesse caso, o criador era aperfeiçoado pela sua criação, em vez da criação ser aperfeiçoada pelo criador. Por essa ordem de ideias, a criação era maior e mais sábia que o seu criador.

Mas, não foi Deus que criou o bem e o mal? Não foi ele que deu a força ao mal conforme quis? Não foi ele que criou a dor e o sofrimento e lhe pôs os limites que quis? O próprio mal vive por Ele e para Ele segundo a grandeza do seu poder, e tudo se move pela sua vontade.

É isso que quer dizer Omnipresente. Se fores ao céu, Ele está lá. Se fores ao confins da terra, Ele está lá. Se fores ao inferno, Ele está lá. Se fores ao interior de um átomo ou de uma célula, Ele está lá.

Mas quanto a Cristo, diz: senta-te à minha direita até que os teus inimigos estejam debaixo de teus pés. E de lá não sairá até ao último dia, em que se manifestará em glória. E é por isso que o Pai enviou o seu Espírito, para que, por Ele, tenhamos acesso ao Pai e ao filho.

Efésios 2:18 Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.

Por isso, como poderia Deus ser aperfeiçoado pelas coisas que Ele mesmo fez e destinou, para um objectivo próprio segundo a sua vontade?

Mas Cristo, embora tivesse feito todas as coisas, desconhecia e não tinha consciência da fraqueza e da necessidade dos homens, assim como também nós que estavamos com Ele no princípio.

Por isso fez-se carne, para que em tudo fosse semelhante aos seus irmãos. Louvado sejas tu, ó Senhor do universo!

Deus, porém, não é assim tão fraco de ideias que não tivesse outra forma de nos salvar, senão pelo grande sofrimento do filho, pois Ele é soberano, pode fazer o que quer. Quem o poderia impedir de nos salvar mesmo sem Cristo?

Mas Deus tendo em vista algo superior, envia Cristo para nos salvar, mas também para o seu aperfeiçoamento. Para que, agora, também nós que seguimos as suas pisadas, além de nascermos de novo, sejamos moldados e formados pelas aflições de Cristo, afim de alcançarmos a sua maturidade e sermos o homem perfeito e perfeitamente preparado para toda a obra de Deus.

Pois só quem sofre as aflições de Cristo é que pode ser aperfeiçoado para a glória que se há de manifestar. Foi o próprio Deus que nos concedeu não sómente o crer, mas também o padecer.

Romanos 8:17 E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.

Vê, mais uma vez, como o próprio Cristo atesta que ele e o Pai são duas pessoas.

João 8:17-20 E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou. Disseram-lhe, pois: Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai.

Se os da triunidade, que dizem estas tolices, conhecessem a Jesus, saberiam que existe o Pai e o filho, mas como não o conhecem, não podem conhecer o Pai, nem o filho.

Vê, outra vez, como existem no céu Pai e filho:

1ª João 1:3 ? e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.

Se só existe um, porque devemos ter comunhão com os dois? E qual deles é a pessoa, e qual é a manifestação? Isto até fere os neurónios.

Se é a manifestação que define Deus como o Pai, Filho ou Espírito, afinal qual deles é o verdadeiro Deus? Mas, não diz a escritura que Jesus Cristo foi, é e sempre será o mesmo eternamente? E, se sempre foi filho, porque queres chamá-lo de Pai?

Hebreus 3:8 Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.

Porque, se é assim, temos aqui o mesmo problema que os três deuses. Pois cada um escolherá a manifestação que mais lhe interessa.

Se for para criar algo de novo, invocam a manifestação do Pai, uma vez que Ele é o criador; se estiverem doentes, invocam a manifestação do filho, porque foi ele que levou as nossas enfermidades; e se for para fazer sinais, invocam a manifestação do Espírito, porque é ele quem dá os dons.

Será assim? Mas que balbúrdia é esta? Acorda e deixa de ser insensato, porque o meu desejo é a tua salvação.

Agora diz-me o seguinte:

A quem o filho no último dia vai se sujeitar, quando lhe entregar o reino, uma vez que Deus é uma só pessoa? Vê o que diz.

1ª Coríntios 15:27-28 Pois todas as coisas sujeitou debaixo dos pés de Cristo. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se exceptua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o próprio filho se sujeitará àquele que lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

Quanto ao argumento que quando Cristo estava na terra não ficou ninguém no céu. É tão parvo que não vou perder tempo com tal argumento, apenas dou esta passagem da escritura.

Mateus 16:17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.

Mas, se somos deuses iguais a Cristo, qual é a diferença entre Ele e nós, uma vez que somos irmãos, e herdeiros, temos a mesma plenitude de Deus, e somos reis e senhores?

A diferença é que Ele é o primogénito, o primeiro a ser criado pelo Pai, Aquele por quem o Pai fez o universo, Aquele a quem o Pai fez herdeiro e Senhor de tudo. E nós participamos da sua herança.

Por isso, já a lei mostrava isso, que o primogénito tinha primazia aos seus irmãos, na herança de seu pai, recebendo porção dobrada.

É por isso que no princípio ele era o verbo e o verbo estava com Deus (duas pessoas), e porque estava com Deus é que era Deus. Assim como nós que já estamos com Deus, somos deuses.

Tens um exemplo visível que te mostra uma figura fiel do reino de Deus, que é o teu corpo humano. Isto é assim:

O Pai é o coração, que é um órgão independente, que vive e move-se por si mesmo, tendo a vida em si mesmo, nenhum órgão do corpo vive desta forma.

Jesus é a cabeça, que é sustentada pelo coração, mas a quem o coração deu o governo do corpo, e todo o corpo só funciona por meio da cabeça.

A igreja é o corpo, que vive por meio do coração e move-se com sabedoria, por meio da cabeça.

E, por fim, temos o Espírito Santo, que é o sangue, que sai do coração e alimenta tanto a cabeça, como todo o corpo. Porém, só todos juntos formam o homem.

Assim é o reino de Deus. Um é o Pai, outro é o Filho, outro é o Espírito e outro é a igreja.

Porém, todos são Deus, porque todos vivem em Deus e Deus vive em todos, para que Deus seja tudo em todos.

O Pai é o agricultor, o Filho é a vinha, e os ramos que dão fruto são a Igreja, mas tudo vive e se alimenta pelo Espírito que sai do Pai.

O Pai, porém, está acima de todos, é por todos e está em todos.

Todo aquele que é sábio e prudente, fundamenta a sua fé sobre a escritura que é de entendimento claro, para entender o que é menos evidente. Mas esses, firmam-se em figuras e mutilam tudo aquilo que é óbvio. Tornam a verdade em figuras, e as figuras em verdade.

Não há pior mentira do que aquela que parece verdade. Mas, a realidade é que quando não se entende as coisas de Deus, usa-se certas verdades da escritura que lhes interessa, para dar cobertura e crédito às suas heresias.

Falam de eleição e da graça, porém, não entendem nem o que dizem, nem o que, com tanta convicção, afirmam. Chamam àquilo que é lei, de graça, e aquilo que é obras, de fé. Nomeadamente, as cruzadas, a confissão positiva, e o chamar à existência as coisas que não são como se já fossem, coisa que só Aquele que ressuscita e vivifica os mortos pode fazer.

São usurpadores que querem sentar-se no trono de Deus, querendo parecer Deus. Se, porém, entendessem a graça, não recorriam à lei, como é o exemplo dos dízimos, e a outras leis semelhantes. O seu pertexto é este:

O dízimo já era dado antes da lei, logo devemos também dar.

Como se o tempo da morte fosse igual ao tempo da graça. Mas suponhamos que sim. Porque, se guardam o dízimo, também têm de guardar os holocaustos e a circuncisão, como fez Abraão? Isso já não lhes agrada?

Ou, ainda, o separar os animais puros dos impuros, e o não comer o sangue, conforme Deus ordenou a Noé. Pois, também, é antes da lei. Claro, isso já não interessa, não traz dinheiro à igreja, os seus objetivos não são saciados.

Sobem aos púlpitos, inchados, gabando-se da falar coisas que ninguém falou. Realmente, a triunidade é coisa difícil de passar por uma cabeça sensata. Auto-intitulam-se apóstolos de Cristo, quando só existem os doze apóstolos do cordeiro, os quais são o fundamento de toda a igreja. É pela sua doutrina que alcançamos a vida que está em Cristo.

Efésios 2:20 Edificados sobre o fundamento dos apóstolos ?

Ora, o fundamento é aquilo que sustenta qualquer obra, e eles são colocados no início desta, e não no meio da obra, ou no fim.

Enfim, gabarolices! Porém, bem-aventurado aquele que recebe a correção, esse receberá galardão.

Já dizia o profeta: Fira-me o justo e isso será saúde para o meu corpo. Porém, que Deus afaste o elogio do perverso, porque isso seria uma armadilha para os meus pés.

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